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O DRAMA DA CRUZ

Passagens bíblicas: Mateus 26.38-39; Hebreus 9.22b
Memorizar: João 11.25

Introdução
Nossa redenção não foi por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro, mas pelo sangue de Cristo, como um cordeiro, sem mancha e sem defeito.

O Momento da Tentação

Esse momento foi logo após a reunião realizada no cenáculo de Jerusalém. Logo após o lava-pés, a celebração da Páscoa, a instituição da Santa Ceia, a exortação “não se turbe o vosso coração”, a promessa de outro Consolador, o discurso da Videira Verdadeira, o adeus final, a oração intercessória e o cântico de um dos salmos.

O Ambiente da Tentação

A 830 metros de altura do Monte das Oliveiras, fica o Jardim do Getsêmani, do outro lado do ribeiro Cedrom, lugar onde costumeiramente Jesus e seus discípulos oravam (João 18.2). Foi exatamente ali que aconteceu a última e mais difícil tentação de Cristo. O fato de ter sido em um jardim, lembra o jardim do Eden, onde se deu a primeira tentação da história humana, quando o pecado entrou no mundo. O detalhe de que o Getsêmani ficava do outro lado de Cedrom (João 18.1), lembra a experiência mais dramática de Jacó, quando ele lutou com Deus e venceu, do lado de cá do ribeiro Jaboque. Era um ambiente aberto e bucólico, numa madrugada de lua cheia.

As Andanças de Jesus

Logo na entrada do jardim, Jesus deixa alguns discípulos em um ponto e leva outros três para outro ponto do jardim, um pouco mais à frente. Em seguida, sozinho avança mais um pouco e chega a um terceiro ponto. Depois faz duas vezes o percurso de ida e volta até onde estão os três discípulos. Ele parece bastante agitado. O que era muito razoável, já que, nos momentos seguintes, seria traído com um beijo, negado tres vezes pelo próprio Pedro, condenado como réu de morte por um tribunal religioso, açoitado, espancado, ridicularizado (coroa de espinhos na cabeça e cetro de caniço na mão direita), entregue para ser morto pela justiça romana e pregado numa cruz. Se Ele não estivesse disposto a beber o cálice, nada disso aconteceria.

Oscilações de Humor
Ao chegar onde estão os três discípulos, na companhia de Pedro, Tiago e João, Jesus“começou a entristecer-se e a angustiar-se” Mateus 26.37. Antes, Ele não estava nem triste, nem angustiado, ao ponto de afirmar aos Seus discípulos, enquanto no cenáculo: “Tenho-lhes dito estas palavras para que o meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo” Mateus 15.11. Com Ana, mulher de Elcana e mãe de Samuel, aconteceu o inverso: ela passou da tristeza para a alegria depois de ter orado no templo (I Samuel 1.18).

 Desabafo

Jamais alguém fez o que Jesus fez naquele ponto em que estavam os três discípulos.  O Verbo feito carne, a imagem visível do Deus invisível, o enxugador de lágrima alheias, o Todo-Poderoso que acalma o mar e repreende o vento, o perdoador da mulher adúltera e da mulher pecadora, o médico dos médicos, o ressuscitador de mortos, abriu Seu coração com Pedro, Tiago e João, e desabafou: “A minha alma está profundamente triste até a morte.” Mateus 26.38

A Busca de Refúgio no Pai

Enquanto os tres amigos não conseguem dominar o sono, Jesus, a sós, no terceiro ponto do jardim, encosta a parte mais alta do corpo no chão e ora ao Seu Pai: “Meu Pai, se for possível passa de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres.” Mateus 26.39. O teor dessa oração que seria repetida duas vezes, mostra qual é a tentação pela qual Jesus está passando. É uma tentação atroz: a vontade surpreendente de não beber o cálice transbordante da ira de Deus que iria atingir o ser humano por culpa do seu pecado, caso Ele não o bebesse. Alguns dias antes, estando em Cesaréia de Felipe, ao norte da Galiléia, Ele havia sido tentado através de Pedro a ter compaixão de Si mesmo e evitar a cruz (Mateus 16.21-23).

Oração Submissa

Embora totalmente livre e soberano, Jesus autoriza: “... não seja como eu quero (no presente momento da tentação), e sim como tu queres.” Mateus 26.39,42. Em outras palavras, Jesus está dizendo: “Eu quero fazer a tua vontade e não a minha.” (paráfrase). Jesus é coerente com o modelo da oração que Ele ensinou: “...venha o teu reino, faça-se a tua vontade, assim na terra (no Getsêmani, aqui e agora)como no céu.”Mateus 6.10. No início daquela semana, pouco depois da entrada triunfal em  Jerusalem, Jesus já estava afirmando sua submissão ao sacrifício: “Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora.” João 12.27

Tentação Absurda

Já que sacrifícios e holocaustos de animais não podem em absoluto remover pecados, Jesus, antes mesmo de Sua encarnação, havia se oferecido para entregar Seu próprio corpo como oferta definitiva pelo pecado: “Estou aqui, ó Deus, venho fazer a tua vontade” Hebreus 10.7. Agora, no Getsêmani, uma vontade contrária e circunstancial muito forte toma conta dele. Todo o plano de salvação, na antiga e na nova aliança, fica dependurado por um fio. Tornam-se tremendamente incertas a justificação, a santificação e a glorificação do miserável pecador!

O Único Meio de Salvação

É verdade que Jesus usou a condicional “se possível” na oração do Getsêmani. Mas não era possível, a bem do pecador, afastar de Jesus o cálice da salvação. Desde o Jardim do Eden, desde a queda “ ...e, sem derramamento de sangue, não há remissão.” Hebreus 9.22b. Sabendo que não foi por meio de coisas corruptíveis como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro, sem mancha e sem mácula, o sangue de Cristo”. I Pedro 1.18. É o sangue de Jesus que nos purifica de todo pecado (I João 1.7). Todo o processo depende de Jesus, dependia da cruz. Jesus não podia falhar – e não falhou, “carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados”. I Pedro 2:24

Gotas de Sangue

O sofrimento é tão grande que o suor de Jesus fica vermelho, transforma-se em gotas de sangue, cai no chão onde está o seu rosto (em termos médicos, o que acontece é uma hematidrose). O sofrimento é tão grande que vem ao Seu encontro um anjo do céu que o conforta e lhe dá bom ânimo(Lucas 22.43), ajuda indispensável para quem precisa vencer uma batalha ou uma tentação. Trinta e poucos anos antes, uma multidão do exército celestial havia irrompido nos céus de Belém para comunicar e festejar o nascimento de Jesus (Lucas 2.13-14).

Tentado, Mas Não Vencido

De repente, a vontade espúria diminui e desaparece, e a  vontade legítima volta à tona e prevalece. A tempestade passa, a crise acaba, a tentação é vencida e o processo de  salvação continua. Jesus levanta a cabeça, reúne os discípulos, entrega-se corajosamente aos Seus algozes, caminha para a cruz, toma sobre Si a iniqüidade de todos nós, derrama Sua alma na morte e realiza plenamente o projeto do Pai! O fio no qual a nossa salvação estava dependurada não se rompe. A expiação dos nossos pecados foi tão plenamente cumprida que o véu do templo, naquele mesmo dia, se rasgou por inteiro de alto a baixo! Aleluia!

CONCLUSÃO

Se vivêssemos no período do Antigo Testamento, em vez de levarmos a Bíblia ao santuário, levaríamos um animal para que, após ser sacrificado, propiciasse o perdão dos nossos pecados. Assim era no passado, ainda que todo aquele cerimonial fosse sombra do que acontece no céu (Hebreus 8.5; 10.1) e apontasse para Jesus (Hebreus 9.23-28) era um cerimonial incapaz de purificar completamente o pecador ( Hebreus 10.4). O sacrifício de Cristo, no entanto, foi único, completo e perfeito. Toda riqueza espiritual, como uma nova aliança com Deus, uma herança eterna e o perdão dos pecados, nos são possíveis pela graça, mediante a fé em Cristo (Efésios 2.8,9). Que privilégio o nosso, o de ter nascido depois do sacrifício de Cristo e de conhecer nos evangelhos a história da salvação e a eficácia do sacrifício de Jesus! Temos motivos suficientes para louvar a Deus a vida inteira somente pelo que Ele fez por nós na cruz do Calvário, mesmo que Ele não atendesse a mais nenhuma de nossas orações.