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VINGANÇA VERSUS PERDÃO
Passagem Bíblica: I Samuel 18.7-9,12; Tiago 3.13-17
Memorizar: Hebreus 10.30Introdução
É próprio do ser humano sentir o desejo de vingar-se quando é ofendido por alguém. O primeiro desejo de quem recebe a ofensa é “pagar com a mesma moeda” Parece que isso trará um prazer como de uma conquista ou vitória. No entanto, tal pensamento não é coerente com o espírito cristão (Lucas 9.52-55). Jesus proíbe o ato de vingança porque esse é sempre produzido pela ira.
QUESTIONAMENTO ACERCA DA VINGANÇA
Em primeiro lugar, deve-se conceituar o que é vingança, depois analisar quando e como ela deve ocupar lugar no sentimento cristão. Se deve ou não ser praticada e o que resulta de uma atitude de vingança.
Conhecendo Um Pouco Mais
Vingança é desforra. É dar ao ofensor um tratamento à altura do que foi recebido pelo ofendido. Quando alguém alimenta o desejo de vingança, torna-se hostil, agressivo, mal
humorado e também ansioso para praticar o desejo do seu coração.
- – O que gera o desejo de vingança – Vários são os motivos que podem gerar o desejo de alguém vingar-se; uma decepção, uma perda, inveja, o ciúme, a injustiça, uma derrota, até mesmo um mal-entendido. Por exemplo, os irmãos de José intentaram vingar-se dele pelo ciúme causado pelo trato diferenciado que o pai lhe proporcionava (Gênesis 37.4,11). O ciúme e a inveja fizeram brotar no coração daqueles jovens um forte desejo de vingança. Transferiram para o irmão todas as frustrações e todo o rancor que sentiam pelo pai. A vingança suscitou a ira, e eles concluíram que matando José, certamente, os problemas cessariam. Isso seria uma desforra.
- – O processo da vingança – Esse mau sentimento permanece quando é motivado.
Depois de gerada, a vingança desencadeia uma série e outros sentimentos que vão
aumentando o desejo de se concretizar o ato. Primeiro aparece o ódio, isto é, um furor
que produz o desejo de revide. Vem também o rancor, aquele sentimento amargo,
aquela antipatia que relembra o fato e o revigora a ponto de clamar por “justiça
própria”. Todas essas manifestações são obras da carne (Gálatas 5.19-21). É daí que
cresce a vontade de ir ao encalço do ofensor para consumar a decisão carnal.O Desejo de Vingança é Pecado
Aqui não se está tratando do fato de alguém procurar defender-se, até mesmo se for necessário tomar certas providências mais sérias como, por exemplo, recorrer a meios jurídicos para resolver certas causas. Para isso existem as leis que garantem os direitos e os deveres do cidadão. O cristão como cidadão, tem também seus direitos reconhecidos. O questionamento em apreço é a falta de conhecimento bíblico que ensina usar de misericórdia e liberar perdão aos ofensores, e, principalmente, deixar Deus agir através da Sua justiça (Levítico 19.18). Quando a pessoa cultiva rancor em seu coração e não consegue livrar-se de tal sentimento, como resultado, falta-lhe o bom humor, a alegria e a felicidade porque está, constantemente maquinando o mal e aguardando o momento de executar sua má intenção. Quando acontece de a vingança se concretizar, a desforra geralmente não traz aquela alegria desejada. O prazer é momentâneo e, logo depois, na maioria das vezes, surge uma sensação de arrependimento causado pela culpa (Gênesis 37.26-30). O salmista Davi, com muita sabedoria, recomenda: “Deixa a ira e abandona o furor; não te indignes para fazer o mal.” Salmos 37.8
Resultado da Vingança
A Bíblia registra vários casos de pessoas que tentaram praticar, ou mesmo praticaram vingança. Todas elas, no entanto, tiveram um final dramático. Temos abaixo alguns exemplos: Jezabel contra Elias – jovem princesa, filha do rei dos sidônios, casou-se com
o rei Acabe, de Israel. Mulher idólatra, reunia os profetas de Baal em seu palácio e, em pouco tempo, conseguiu implantar em Israel o culto aos seus deuses. Quando o profeta Elias, usado por Deus, exterminou os profetas de Baal, Jezabel indignada, com o coração transbordando de ódio, jurou vingança (I Reis 19.1,2) e perseguiu Elias para concretizar seu mau intento, Deus preservou a vida de Seu servo. O fim daquela rainha foi terrível. Sua morte foi trágica (II Reis 9.30-37). O caso de Hamã contra os judeus – Esse homem era um príncipe muito conceituado no palácio do rei Assuero. E todos os súditos do rei se inclinavam e se prostravam à sua passagem (Ester 3.1,2). Naqueles dias, um certo judeu costumava assentar-se junto ao portão do rei e quando Hamã passava, ele não se inclinava, não dando importância à tal ordem. O príncipe, ferido em sua vaidade, procurou vingar-se do “insolente” judeu. Ou melhor, para que a vingança fosse mais completa, destruiria todo o seu povo (Ester 3.6). Deus, porém, providenciou livramento. Vingança contra o irmão – O rancor e o ódio, produzido pelos ciúmes, podem levar alguém a cometer desatinos, como o caso de Caim (Gênesis 4.5-14). Ao intentar vingança contra seu irmão, Caim foi advertido por Deus, que conhece os corações. No entanto, ele não deu ouvidos às advertências e persistiu no seu plano diabólico de vingança. Sentença de maldição – 1)- fracasso nos seus próprios negócios; 2)- perda da paz e da tranqüilidade (v..12); 3)- um peso constante na consciência. A culpa o seguiria pelo resto da vida (v. 13); solidão (v. 14); 5)- e o pior de tudo: “E saiu Caim de diante da face do Senhor.” (v.16). Não existe pior perda para o homem do que a separação entre ele e Deus.VIVENDO NO TEMPO DA GRAÇA
Alguém poderá perguntar por que antigamente era dada ao homem a oportunidade de vingar-se? São dadas aqui algumas explicações com o objetivo de clarear as idéias, mas não se tratar o assunto com a profundidade que ele requer.
A Lei e a Graça
Trata-se de duas dispensações ou duas eras bem distintas. Jesus reconheceu a autoridade da lei mosaica (Mateus 5.17), porém condenou o fanatismo dos fariseus no tocante à lei ( Mateus23.3). A lei dada aos judeus teve um propósito divino para que o povo tivesse uma vida próspera, equilibrada, segura e de moral elevada (Levítico 18.5). A lei abordava todos os aspectos da vida. Algumas pessoas, querendo justificar seus sentimentos de vingança, citam Êxodo 21.23-25. O que deve se entendido no referido texto é que a lei evitava os exageros na aplicação da punição. Os crimes precisavam ser punidos com precisão e justiça, e não de forma exagerada. A punição deveria ser aplicada em proporções exatas aos danos causados. Qualquer tipo de dano que um homem provocasse em outro, deveria ser castigado com um dano similar. Jesus, porém, veio ensinar outra maneira de reação ao mal sofrido: “Ouvistes que foi dito: olho por olho, e dente por dente. Eu, porém vos digo que não resistais ao mal; mas se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra.” Mateus 5.38-39. Jesus cumpriu toda a lei e deixou para sua Igreja um novo mandamento (João 13.34-35).
A Quem Pertence a VingançaSe o crente não está mais debaixo da lei e sim sob a proteção da graça, é certo que suas ações devem ser coerentes com a sua nova situação (Romanos 12.17-19).
CONCLUSÃO
De tudo o que foi escrito, fica bem claro que o desejo de vingança é pecado que mina o coração e cria outras situações piores como a ira, o rancor e o pior, a consumação de uma ação má e perversa. Ninguém deve exercer justiça com as próprias mãos, porque a vingança pertence a Deus.